Total de visualizações de página

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nem mais, nem tanto menos - sou completa em minha essência. Dotada de alguma demência, porque preciso arriscar. Mergulhada em água fria, escaldada para a confiança desmesurada, uma guerreira guardada no peito que ainda trepida. Mais vestida quando despida, no olhar sustentando a resposta, sou do tipo que aposta e vai c...onferir o ganho. Me arranho, me lanho, apanho - mas volto pra me celebrar!
Verdadeiramente tua, desarmada e desfolhada, uma rosa inofensiva dos espinhos despojada. Verdadeiramente amada - crença tola, exagerada, ilusão ornada de fantasias pueris - que me importa? Se cercada no enlace do teus braços eu me faço plena e inteira e, despida de minha falsidade costumeira, posso ser apenas gozo e luz. Mulher alada, fêmea saciada, caçadora abastada que celebra a derradeira aparição de Vênus.
Devolvo-lhe as cartas,as fotos,as farpas.As escapadas regadas a mentiras infantis. Devolvo-lhe a necessidade de ar,os telefonemas sussurados atrás das portas espessas.Devolvo-lhe o enorme peso de dias sem paixão,de noites insones e bordões cheios de culpa.Devolvo-lhe os lençóis manchados,as canções complicadas,as rosas... secas.Devolvo-lhe a dignidade de não ter de fingir um grande amor.Eu,eu fico bem com a minha dor.
Na escuridão mais densa,ela se desfaz do que pensa e dança, nua.Solta as pernas bailarinas,as mãos ganham vida própria e volteiam no ar, mariposas enfeitiçadas. Os olhos vidrados de lume, seu corpo todo um perfume de desejo exala. E ela entorpecida, pela lua envolvida, desliza, volteia, alada.Lotús desabrochada, do xar...co ressuscitada, deusa dos vagalumes. nesta dança intrigante,tudo silencia ante esta cena inusitada.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Maré alta

As vertigens voltaram - respiração ofegante, suor abundante,
ausência, estranhas imagens
Voos sem pouso, cabeça sem amparo, flores de maio em agosto
Ao observar meu próprio rosto, me traio:
estampado no olhos o desgosto por mim mesma
Antevejo temporais
As vertigens já não me surpreendem mais
apenas se instalam como aves da estação
e eu já não faço mais o antigo esforço
para recuperar o controle esperado
não ensaio mais falas nem comesuras nem me incomodam as vaias
desta sociedade absurda
Sinto os meus ossos minhas carnes meus nervos
sinto-me toda em entorpecido enlevo
quando me solto na torrente destas complicadas redes
de minhas comoções
As vertigens são tentativas de fuga de um tormento pessoal
forçar-se a sair de si mesmo por um tempo buscando amenizar sofrimentos
que não se pode ignorar.
Pago o preço do meu temperamento desassogado,
do meu amor acelerado, da minha fome de gentes e por novos vendavais.
Sou um navio à deriva, amarrado em seu velho cais.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um desejo é uma rosa

Um desejo não é muito mais que um momento em que se para de racionalizar o instinto. É uma brecha no tempo, é um alento se deixar tomar pelo apelo, pelo impulso, pela entrega - forma de rosa indecorosa que entre os seios se aconchega. Peleja de amor.Um desejo não é muito mais que um momento em que se para de racionalizar o instinto. É uma brecha no tempo, é um alento se deixar tomar pelo apelo, pelo impulso, pela entrega - forma de rosa indecorosa que entre os seios se aconchega. Peleja de amor.
Na noite, sou só espectro - impressão de presença que assombra e se retrai.
Respiro baixo, me movo pouco,
como um louco
que num gesto mal pensado, se trai.
Espreito seu sono,
seu sonho cobiço - atiço o fogo que dorme em seu olhar.
Na noite, sou bicho sem dono,
sou falta de sossego,
sou apego
ao que mais não há.