
eu conheço seu cheiro. veja bem, não falo do cheiro
da sua loção de barba, do perfume que é usual, do aroma dos cabelos.
seu cheiro: uma sua digital, inconfundível quando saboreio desde longe.
sério - que seu cheiro mora embaixo da sua pele, emana de antes dos seus poros,
antes de seus olhos falarem ou sua boca mexer num arremedo de palavra.
antes vem este seu cheiro único, que me traz das cavernas de mim,
que me alumia a porta do túnel, que acorda a minha alma pra sair.
e quando saio me recebe se entranhando em mim como um presente.
seu cheiro as vezes chega doce, as vezes por demais e de repente; assusta!
e me prende sem correntes ou cordas, sem maiores preocupações ou explicações.
se apoia sobre mim como se eu fora o cais, mas eu sucumbo, admito:
só quero mais e mais e mais, como quem se embriaga de bom vinho.
sem fartar-se.
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